Jul 02

PHPolêmico e o constante crescimento na programação

O Julio Greff mostrou sua opinião ácida sobre PHP, e isso gerou uma polêmica gigantesca. Na verdade a discussão foi além da opinião de cada um sobre a linguagem, e o pessoal - com certa ignorância - colocou na roda argumentos ridículos, como idade e “amadorismo”. Cada um tem o direito sim de ter uma opinião e poder expressá-la, ainda mais em seu blog. Nunca achei que blogs fossem espaços democráticos, mas lá no blog dele a tolerância foi grande.

Enfim, o assunto não é esse. Mesmo tendo mudado de título definitivamente (de quase-programador para aprendiz-de-designer), não nego a importância da programação para o Web designer. Você tem sim que saber um pouco de XHTML e CSS, mas um pouco de programação não faz mal. Não é questão de prioridades, de se focar num assunto específico, isso é bobagem. O profissional deve ser bom sim no que faz, mas sempre deve estar aberto e ter conhecimento do trabalho do colega ao lado.

Eis que então, meus amigos, como é de conhecimento de vocês, eu já tenho alguma experiência básica com CakePHP. Começamos a utilizá-lo na agência onde eu e o Julio trabalhamos, e eu realmente fiquei surpreso com o grande potencial tanto do framework quanto do PHP. Li por várias vezes a documentação, a API, e as entranhas do Cake, e vi como o funcionamento é simples.

PHP, de fato, não é uma linguagem ruim. Eu digo que não gosto da sintaxe do PHP, pois prefiro a do Ruby, mas nem por isso odeio o PHP. Essa é a minha opinião. Quanto mais eu conheço a linguagem, mais estou gostando dela. Até pouco tempo utilizava PHP4, mas em 2008 comecei a entender toda a lógica por traz da orientação a objetos. Isso me abriu as portas para entender esse potencial do PHP.

PHP, apesar da sintaxe não tão legal (opinião pessoal), está bastante madura, a julgar pela quantidade de extensões existentes, sem falar na grande abrangência desta linguagem.

Como eu havia dito, independente da linguagem cada um tem que procurar ser mais produtivo. Talvez eu não seja mais produtivo que o pessoal que comentou lá (cujo tom de arrogância de alguns faz parecer que estes sabem tudo de PHP), mas eu sei que estou amadurecendo e que estou me tornando produtivo se comparado a mim mesmo há um ano. Inclusive no design.

Espero não entrar mais nessas discussões, pois já disse aqui várias vezes o que penso e que estou me distanciando um pouco da programação pois - salvas excessões - há muita arrogância e ignorância entre os programadores.

Jun 25

O design e o Web designer

Muita, muita gente se considera Web designer. Utilizar um software, como o Fireworks, é fácil e acessível a qualquer um, mas infelizmente, meus amigos, não torna ninguém designer. Desenho também, é uma arte incrível, mas infelizmente também não é design. Alguém de vocês já teve a curiosidade de saber o que significa a palavra design? Design, segundo nosso dicionário, significa plano, planta, pattern, designação, dar forma e boa aparência, leiautar.

Como eu estou decidido que quero seguir na carreira de designer, já estou tomando providências. Trabalho com design e, mais do que isso, estudo design. Só acho ridículo - e confesso com vergonha que já fui assim - que muitos que se dizem designers não estudam e não se interessam pelo estudo do design e da arte.

A ferramenta não faz o designer

Você pode ser o ninja do Photoshop, saber tudo de Fireworks e Flash. Mas nada disso é válido se você não souber como utilizar essas ferramentas para tornar o seu design efetivo.

Design é função

É isso o que difere design de arte. Você faz um trabalho de arte, e ele pode ser tão subjetivo, tão abstrato, que ninguém pode entendê-lo. Seu design não pode ser assim. E arte só é design quando esta arte for aplicada. Você deve fazer com que o seu design - ou melhor, a mensagem que você quer passar - seja compreendido pelo seu público-alvo, pelo seu consumidor. Você faz design para vender seu produto ou idéia, não pela simples expressão do seu eu interior. O design Web possui técnicas que, quando bem dominadas, tornam seu serviço, site ou campanha na Web realmente funcional.

Claro, existe uma liberdade gigante na criação, e prova disso é a enorme variedade de peças distribuídas no mundo, mas perceba que os projetos de sucesso seguem algumas orientações básicas, entre elas o alinhamento racional, a escolha da boa tipografia e a harmonia de cores.

Web 2.0: uma nova abordagem ao design na Web

Por muitos anos, a abordagem que vigorou pelos então designers de Web foi o design centrado na utilização, na tarefa. Nesta abordagem, todo o design era focado nos objetivos e tarefas que envolviam um produto ou serviço on-line, sem preocupações com o que o usuário realmente precisava e conseguia utilizar. Com o estouro da bolha uma nova tendência se fortaleceu, e os novos serviços - chamados “2.0″ - seguiam (e ainda vêm seguindo) a abordagem do design centrado no usuário (UCD), que se preocupa diretamente com as limitações e capacidades do usuário final.

O design centrado no usuário foi um marco para o design da Web por dar o merecido valor ao usuário final. Nesta abordagem de design, os designers de Web não apenas projetam interfaces de acordo com o que consideram melhor para o usuário final, mas testam e avaliam a efetiva funcionalidade de suas telas. Isto ocorre pois os designers possuem experiências que divergem das do usuário final, o que influencia também na maneira com que fazem design para Web. Assim, o que é simples e intuitivo para eles pode não ser para o grande público.

São quatro os elementos principais do design centrado no usuário: visibilidade, acessibilidade, legibilidade e linguagem.

Visibilidade

A visibilidade ajuda o usuário a construir um modelo mental. O modelo mental ajuda o usuário a formar uma imagem sobre o funcionamento do seu serviço, e também prever os efeitos das suas ações. Eu já escrevi sobre isso. Seu site deve ter navegação clara, e o usuário deve saber exatamente onde está, para onde pode ir e por onde já passou.

Acessibilidade

Não são apenas os cegos e pessoas com dificuldades motoras que são o alvo da acessibilidade de um site. No design de interação, todos os usuário possuem suas particularidades e são, pois alvo da acessibilidade. Cada usuário possui - devido às experiências anteriores - um modelo mental de como sites geralmente funcionam. Esperam um logo no canto superior, navegação logo abaixo ou em barra lateral, e busca no canto superior direito.

Quando algum desses itens não está presente, o usuário pode se sentir desorientado. Assim, um projeto de design na Web, geralmente na forma de um site, deve manter sempre claras e visíveis as informações básicas que o usuário deve ter. Além disso, o conteúdo deve ser escrito de maneira a tornar fácil a leitura e escaneamento do texto, pois o usuário provavelmente não lerá o conteúdo todo para encontrar o que precisa.

Legibilidade

Nunca esqueça que o usuário está em seu site em busca de conteúdo, e que geralmente este se encontra em forma de texto. Tornar esse texto legível e escaneável, então, é o mínimo que você pode fazer. Lembre-se de dar preferência às fontes sem serifas, que são mais legíveis em monitores do que as serifadas, pois a resolução dos monitores é muito inferior à dos livros impressos. Além disso, a relação das cores do texto com a cor do fundo é importante para a legibilidade, pois se o texto for pouco contrastante fica difícil a leitura.

Linguagens

Algo que está escrito em todos os livros de usabilidade que já li: use terminologias comuns, não específicas e nem aquelas que fazem sentido apenas a um grupo específico. Ou seja, “marketês” pode não fazer sentido para a grande maioria. Além disso, se a sua empresa utiliza nomenclaturas internas (jargões) para produtos e seções do site que diferem do vocabulário esperado pelo usuário, pense novamente.

Por onde começo?

Resumindo: para ser um Web designer, você precisa estudar design. Se não souber nada de tipografia, teoria de cores, alinhamento e posicionamento, semiótica, estética e comportamento humano, você não está nem perto de ser um designer, quem dirá um Web designer. Li esses dias no Plurk alguém que disse “ainda bem que escolhi design, assim não preciso ler tanto”.

Muito pelo contrário, meus colegas. Leitura é essencial em qualquer área, o conhecimento é muito, e livros são uma ótima maneira de adquiri-lo. Se você freqüenta uma universidade, sua biblioteca deve ter bons títulos sobre o assunto.

Conclusão

As ferramentas não fazem um bom designer, e um Web designer não é um Web designer se não souber a teoria básica sobre design. Vejo que falta em muita gente a vontade de estudar e aprender design. Talento é importante e conta, mas se você tem talento e não possui técnica e teoria, você é uma pedra preciosa não lapidada. Estude, estude e estude, e você brilhará.

Jun 20

Considerações importantes sobre a usabilidade das páginas iniciais

Estes são alguns pontos que considero importantes, em relação à usabilidade das páginas iniciais. Alguns pontos foram extraídos do Homepage Usability: 50 websites deconstructed, livro interessantíssimo de Jakob Nielsen e Marie Tahir sobre a usabilidade das páginas iniciais.

Sua página inicial é o ponto de partida para todo o site

Nunca tire isso da mente. As páginas iniciais devem prover informações claras sobre o que é o site, o que o usuário encontrará no site e amostras de conteúdos importantes. As páginas testadas no livro de Nielsen possuem, em média, 770 pixels de largura e até três telas de comprimento (em resolução 1024X768). Tome cuidado para não desperdiçar espaço na sua página inicial com conteúdo ambíguo.

Se seu site possui busca, coloque-a na página inicial

Usuários começam a navegar em seu site ou através de links, ou através da busca. Sobre a sua busca funcionar corretamente ou não, fica para um próximo artigo, mas ela deve sim estar presente na página inicial, pelo fato de ser um dos grandes pontos de partida para a navegação. Segundo as estatísticas das análises de Nielsen, o lugar mais apropriado para colocar sua caixa de busca é no canto superior direito. Sua caixa deve ter, no mínimo, 27 caracteres de extensão, para permitir que os usuários consigam rever o que digitaram, e o botão mais apropriado deve ter a palavra “Buscar”.

Comunique a proposta de seu site

Seja claro sobre o que sua empresa faz e para que serve o seu site, logo de cara. Para tal use algum texto introdutório curto e sem “marketês”. Além disso, aposte em uma tagline clara e objetiva, que seja curta mas que explique exatamente a proposta do seu site.

Não ofereça formulários de registro sem dar vantagens

É interessante e importante que seu usuário registre-se no seu site. Informações de registro, como um link, devem estar disponíveis logo na página inicial. Contudo, é importante citar vantagens de ser um usuário registrado naquele momento, e não apenas um link do tipo “Clique para Registrar”. Ofereça conteúdo mais atrativo, como  “Registre-se agora e ganhe descontos nos produtos”, que explicita realmente alguma vantagem em efetuar um cadastro.

Sobre as boas-vindas

Dar as boas vindas aos usuários se mostrou não tão efetivo, a menos que acompanhado do nome da pessoa. Dizer “Seja bem vindo”, apenas, não traz vantagem alguma para a simpatização do usuário com seu site. Se ele for registrado e estiver logado, aí sim vale utilizar uma mensagem customizada como “Olá Rafael, seja bem vindo”.

Atenção aos gráficos animados

Os usuários, ao longo dos anos, desenvolveram um instinto inigualável para evitar anúncios. Eles têm associado os banners à propaganda e hoje muitos possuem uma certa “cegueira” aos anúncios. O problema então é que se você tiver algo em sua página que lembre um banner, há grandes chances de que esta seção seja descartada pelo usuário. Preste atenção, então, ao uso de gráficos animados e mesmo gráficos coloridos e chamativos demais, principalmente quando estiverem em formato de anúncio. Eles podem ser totalmente ignorados pelo visitante.

Estas são algumas conclusões que eu tirei da leitura do livro de Jakob e Marie. São muitas as análises feitas durante o livro, todas muito bem justificadas. Vale ressaltar que trata-se de um livro de 2002, e mesmo que algumas falhas na usabilidade permaneçam, como a Web está mudando e o usuário está mudando, precisamos ter certo discernimento que nem tudo que Nielsen disse há 6 anos é válido hoje.

Além disso, Jakob Nielsen é radical em sua opinião sobre usabilidade. Fica com você avaliar o que mudou, o que não mudou, e quanto radicalismo você pretende impor à sua criação. De qualquer maneira, todos os livros que li de Nielsen até então são muito esclarecedores e abriram a minha mente para o lado crítico que precisamos ter.

Jun 15

CodeCast 5: Frameworks Web

Desconsiderando o fato do grande atraso na publicação do episódio, está no ar o quinto podcast de CodeCast! Nesta edição, temos um convidado especial, Jader Rubini, que conversou conosco sobre linguagens de programação e frameworks Web, CakePHP para PHP, Ruby on Rails para Ruby e Django para Python, e jQuery como framework de Javascript.

Esperamos realmente que vocês gostem, pois o papo rendeu e o podcast está comprido (56 minutos). Falamos também do Plurk, serviço de microblogging, e também respondemos aos e-mails dos ouvintes. Desta vez está pesando 39MB, mas vale a pena.

photo Rafael Marin Bortolotto
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